sábado, 14 de maio de 2011

Aroma.

Eles já haviam se visto mais de uma vez naquele mesmo lugar, o ônibus. Eu não conheço a versão dele, mas sei que ela, Clara, lembrava daqueles traços. Ele levava no pescoço uma maquina fotográfica, vestia jeans, um paletó azul marinho de um tecido aparentemente quente, porém não era veludo, usava camiseta branca, um cachecol e tênis. Tinha cabelos curtos bem ralos. Era alto e magro.  Tinha o rosto oval, olhos médios e profundos, a boca levemente carnuda e cheirava a perfume envelhecido. O cheiro foi a marca. Era ligeiramente conhecido, lembrava o perfume do pai de Clara que ficava em um guarda roupa no sótão e tinha cheiro de mofo perfumado com algo cítrico e que de muito perto ardia o nariz. Talvez eles nunca mais se vejam, mas Clara não esquecera aquele aroma.

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