Thaís não sabe o que está acontecendo. Não compreende o mundo a sua volta. Tudo acontece ao mesmo tempo. Tudo entra em caos e ela luta para não seguir essa maré de destruição. Não adianta a vida já não faz mais sentido para ela. Thaís não quer entrar em estado de sobrevivência. Ela sabe que depois da desordem vem a tranquilidade. Mas ela teme profundamente não suportar essa crise tão assustadora. Ela esteve com muitos problemas, carência, pânico, e um medo de se relacionar com as pessoas que a fez isolar-se do resto do mundo. E por causa disso ninguém ficou sabendo do estado em que estava o coração de Thaís. Aquela moça aparentemente tão sorridente se fechou em uma couraça de chumbo que não deixava transparecer nada, nem mesmo aquela tristeza profunda que a dominava. Então Thaís sofreu sozinha, chorou sozinha, sobreviveu sozinha, mas agora ela me pede ajuda. E eu faço parte dela. Eu sofri com ela, eu chorei com ela, eu sobrevivi com ela, só ela não percebeu. Eu sou a couraça.
Nunca deixarei Thaís só. Mas não é da minha companhia que ela precisa para viver. Nós temos pavor da solidão. E por mais que eu vire uma couraça de um fino tecido, quando as pessoas se reaproximarem dela eu estarei aqui, a couraça de proteção. A segurança dela, e ela a minha segurança.
Ninguém nunca deixou Thaís só. Ela deixou os outros. Nós deixamos os outros, ela entrou em mim e eu a fechei para o mundo, não permiti que o mundo a conhecesse verdadeiramente e agora ela sente falta das pessoas sente falta dela mesma, e quer se livrar do chumbo que me reveste.
Certo dia Thaís estava no ápice de sua depressão, e eu estava fechada para tudo o que viesse de fora que pudesse interferir nos sentimentos dela. Ela saiu para uma caminhada, queria pensar. Andou por uma rua deserta e virando a esquina daquela ruela viu que um velho companheiro se aproximava. Eles se abraçaram e me desmancharam. Virei água. Ela permitiu seu pranto. Ela permitiu que ele visse a fragilidade dela e ele a acolheu. Eu evaporei, mas formei uma nuvem.
Thaís esta melhor. Thaís é ela mesma agora sem couraça nenhuma. Ela é mais sincera com os outros e consigo mesma. Por muito tempo só com seu companheiro ela era por inteiro Thaís, e agora ela tinha ele como um companheiro especial, pois todos eram seus companheiros.
Eu estou aqui ainda como uma nuvem, pronta para derramar minha chuva e proteger Thaís do que for. Espero que ela nunca mais precise de mim.
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