1º Capitulo - O Início do Fim.
Era um caloroso dia de sol e Joana como de
costume, em todas as manhas ensolaradas, estava deitada na grama de um parque
perto de sua casa olhando o céu. De repente vê ao longe a silhueta de seu amado
Heitor, o homem com que ela estava casada há dez anos e que nunca deixou de
amar. Ele se aproxima lentamente, e ela em um surto de ansiedade corre para
vê-lo e o abraça com uma força descomunal. Ele olhou profundamente nos ardentes
olhos de Joana e proclamou com medo:
-
Temos que conversar.
Sentaram-se
em um extenso gramado. Heitor segurou com força a mão de Joana e antes de falar
com a boca, seu corpo falou, seus olhos disseram tudo que Joana nunca quisera
ouvir, ela em um completo desespero abaixa a cabeça e grita:
-Não,
impossível, você não seria capaz. Seria?
Com
um leve gesto ele toca os lábios dela com os dedos frios. Ela se deita no colo dele,
e eles começam a cantar uma musica. Ao terminarem a cantoria ela levantasse
para ir embora.
-
Espere. Diz Heitor.
- Esperar o
que? Você dizer que não me ama mais?! Que temos que dar um tempo? Quando nós
sabemos que um tempo significa o fim.
- Eu te
amo, para todo o sempre. Só que me amo também. Ele responde com receio do
remorso.
- Eu te
amo, para todo o sempre. A voz dela era fraca, porém com uma doçura
indescritível.
Joana se
afasta aos poucos sem olhar para traz. Ela tem medo de não conseguir viver sem
Heitor. Heitor sente pena de Joana, mas ele sabe que foi para o bem dos dois,
por mais que ela nunca tenha entendido isso. Ela anda lentamente sem rumo
durante todo o dia, lembra dos momentos mais felizes de sua vida ao lado de
Heitor. Tudo remete a ele.
No fim do
dia ela senta-se em um banco na Praça Santos Andrade e recorda do desejo que
ele tinha de ter um filho. Joana nunca pode dar a Heitor um filho. Ela e as
irmãs eram estéreis. Heitor alegava não ter estrutura emocional para adoção,
por mais que este fosse um desejo vivo em Joana. Em prantos Joana pensava se não era por
esta causa que Heitor a abandonará, a falta de um filho na vida de Heitor era
grande, apesar de ela fingir não perceber isso, por medo da culpa.
Ficou ali
sentada até anoitecer, e ao levantar-se para sair dali, ela viu o viu. Ele
estava aos prantos, e ela ao observá-lo naquele estado deplorável, chorou. Doeu
nela a dor dele, e ela nem sabia o porquê. Então sua razão pela primeira vez em
dez anos falou mais alto e ela pensou: quem
me deixou foi ele. Ela saiu andando de pressa, tropeçou e caiu. Com a boca
sangrando e os olhos fechados ela sente uma mão macia e forte a ajudando. Ela
preferiu manter os olhos fechados. Então ouviu:
- Querida, você esta bem? - Era Heitor
preocupado com o estado de Joana.
- Heitor,
preciso ir para o hospital, acho que quebrei o pé. - Joana responde com
delicadeza e agradecimento na voz.
Heitor em
um impulso a pega no colo e acena para uma mulher que esta perto e viu a cena.
Ele com um tanto de timidez e muito desespero pede a mulher:
- Por
favor, chame uma ambulância.
A senhora
então pega com agilidade o celular e chama os paramédicos, que logo aparecem e
carregam Joana desacordada para o hospital, Heitor vai junto, ele estava
preocupado, achava que a culpa daquilo tudo era dele.
No hospital
o médico analisa o pé de Joana e conclui que ela tivera uma luxação não muito
grave, mas que não poderá ir para casa hoje estava proibida de colocar os pés
no chão até o outro dia de manhã, então Joana dormiu no leito do hospital.
Heitor ficou lá com ela, não pregou o olho à noite toda, ficou pensando em uma
forma de falar a ela o porquê de tudo aquilo. De nada adiantou. Ao amanhecer,
Joana acordou com a luz do sol em seu rosto e um caloroso bom dia de Heitor.
Ela que não queria mais estar perto dele por razões obvias, ficou aliviada ao
sentir suas mãos acariciarem seu rosto. Então Heitor começou a proclamar suas razões
para deixá-la:
- Querida,
tu sabes que eu sempre te amei, e sempre vou te amar. Sabes também que eu sou
um homem sonhador e que precisa se aventurar. Nunca eu me esquecerei de ti,
jamais. Pensarei em você todos os dias de minha vida, e se possível de minha
morte também. O meu único e sincero motivo para deixá-la é que estou cansado de
minha vida, de minha história, e de pensar que até hoje eu nunca me amei.
Sempre vivi para te amar. Olho para traz e vejo que só vivi para ti, e eu esqueci-me
de mim mesmo. Quando me dei conta disso, senti que eu durante todo esse tempo
usei você, usei sua vida para meu divertimento, cansei disto. Preciso viver.
Emocionada
com as palavras do seu eterno amor, Joana não encontra termos para expressar a
emoção que sentiu. Após alguns minutos de vozes silenciadas, Joana com temor de
quebrar o silêncio fala calmamente:
- Eu te amo
o suficiente, para aceitar, respeitar e dar asas a tua vontade. Por mais que
agora haja mágoa, sei que após haverá liberdade.
Eles dão um
ultimo beijo, ele vai embora tranquilo, calmo e com um desejo muito grande de
voar. Ela fica ali pensando solitariamente no que ela fará de sua vida, pensa
em mil e uma possibilidades, não gosta de nenhuma. Ela ainda precisa de Heitor
ao seu lado. Só ela não quer admitir isso. O médico entra no quarto para dar
alta à Joana. Ela então pergunta:
-
Doutor o senhor já se sentiu sozinho e perdido?
-
Inúmeras vezes. - Ele responde com voz abafada.
-
Como o senhor achou de volta o caminho?- Ela pergunta com uma louca
curiosidade.
-
Só com o tempo minha cara, só o tempo vai dizer onde esta o caminho. - O médico
da um sorriso e a libera.
Ela
se veste para ir embora. Esta totalmente insatisfeita com a resposta do médico.
O tempo era algo muito vago para ela. Como ela poderia esperar sentada
calmamente o tempo passar para que suas ideias voltassem a ter ordem? Dou razão
a ela esperar sentada o tempo passar, e só pensar, traz sofrimento. Ela saiu do
hospital com um ponto de interrogação palpável em seu rosto, ela não sabia para
onde ir, o que pensar, onde ficar, o que fazer.
Andava
calmamente pela rua, mancava, e sua cabeça fervilhava de questionamentos sobre sua
vida. Decidiu então ir para a casa, a casa que fora dela e Heitor. Ela não se
importava se lá tudo remetia a seu amado. Ela gostava, apesar da saudade.
Ao
chegar naquela pequena casa amarela com um enorme jardim e uma roseira só dela,
sentiu um enorme conforto e pensou: “Minha
casa, meu lar, meu aconchego, meu acalanto”. Ao abrir a grande porta de
madeira que tinha um ar rústico que ela adorava, logo percebeu que havia algo
diferente. Entrou com pressa e sentou-se no sofá, olhou em volta e viu o
chapeleiro vazio, aquele que sempre estivera cheio de chapéus que Heitor amava
e que acrescia um charme gigantesco aquele homem de beleza comum, agora estava
nu, completamente cheio por um vazio não só de objetos, mas da presença da alma
de Heitor, esta que Joana achava que não poderia deixar aquela casa. Ela teve
de respirar fundo, então ficou em pé e andou por todos os cômodos da casa.
Nenhum vestígio havia da presença de Heitor a não ser, álbuns de fotografias e
vídeos deles que foram deixados sobre a cama com uma rosa branca e uma carta.
Joana se deitou com leveza e começou a ler a carta já aos prantos pela ausência
do espírito de seu ex-marido. A carta escrita em versos rimados trazia esta
mensagem:
Minha bela amada
Lamento por deixá-la
Talvez agora triste e desolada
Nunca de verdade eu irei abandoná-la
Levo tudo que é meu
As fotos e os vídeos são lembranças tuas
Para que não esqueças teu Romeu
Não vou ferir estas obras suas
Magoa tua, eu entenderei
Tristeza tua, eu sentirei
Amor teu, eu lembrarei
Saudade tua, eu conhecerei
Deixo você com marcas no coração
Em mim prevalece à paixão
Por ti meu grande amor
Por mais que eu a deixe com dor
Precisei viver
Para isso obriguei-me a me abster
Do teu amor e tua beleza
Mesmo que com muita tristeza.
Capitulo 2 - Lembranças
Aguardem.
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