domingo, 9 de outubro de 2011

Passado no Presente Futuro

Só pra deixar claro que tudo isso é puro devaneio da cabeça de uma adolescente metida a escritora. Só pra deixar claro que tudo isso é uma tentativa de mostrar o mundo com olhos poéticos. E eu não sei se va funcionar mais as próximas postagens contaram uma história.

1º Capitulo - O Início do Fim.



Era um caloroso dia de sol e Joana como de costume, em todas as manhas ensolaradas, estava deitada na grama de um parque perto de sua casa olhando o céu. De repente vê ao longe a silhueta de seu amado Heitor, o homem com que ela estava casada há dez anos e que nunca deixou de amar. Ele se aproxima lentamente, e ela em um surto de ansiedade corre para vê-lo e o abraça com uma força descomunal. Ele olhou profundamente nos ardentes olhos de Joana e proclamou com medo:
            - Temos que conversar.
            Sentaram-se em um extenso gramado. Heitor segurou com força a mão de Joana e antes de falar com a boca, seu corpo falou, seus olhos disseram tudo que Joana nunca quisera ouvir, ela em um completo desespero abaixa a cabeça e grita:
            -Não, impossível, você não seria capaz. Seria?
            Com um leve gesto ele toca os lábios dela com os dedos frios. Ela se deita no colo dele, e eles começam a cantar uma musica. Ao terminarem a cantoria ela levantasse para ir embora.
            - Espere. Diz Heitor.
            - Esperar o que? Você dizer que não me ama mais?! Que temos que dar um tempo? Quando nós sabemos que um tempo significa o fim.
            - Eu te amo, para todo o sempre. Só que me amo também. Ele responde com receio do remorso.
            - Eu te amo, para todo o sempre. A voz dela era fraca, porém com uma doçura indescritível.
            Joana se afasta aos poucos sem olhar para traz. Ela tem medo de não conseguir viver sem Heitor. Heitor sente pena de Joana, mas ele sabe que foi para o bem dos dois, por mais que ela nunca tenha entendido isso. Ela anda lentamente sem rumo durante todo o dia, lembra dos momentos mais felizes de sua vida ao lado de Heitor. Tudo remete a ele.
            No fim do dia ela senta-se em um banco na Praça Santos Andrade e recorda do desejo que ele tinha de ter um filho. Joana nunca pode dar a Heitor um filho. Ela e as irmãs eram estéreis. Heitor alegava não ter estrutura emocional para adoção, por mais que este fosse um desejo vivo em Joana. Em prantos Joana pensava se não era por esta causa que Heitor a abandonará, a falta de um filho na vida de Heitor era grande, apesar de ela fingir não perceber isso, por medo da culpa.
            Ficou ali sentada até anoitecer, e ao levantar-se para sair dali, ela viu o viu. Ele estava aos prantos, e ela ao observá-lo naquele estado deplorável, chorou. Doeu nela a dor dele, e ela nem sabia o porquê. Então sua razão pela primeira vez em dez anos falou mais alto e ela pensou: quem me deixou foi ele. Ela saiu andando de pressa, tropeçou e caiu. Com a boca sangrando e os olhos fechados ela sente uma mão macia e forte a ajudando. Ela preferiu manter os olhos fechados. Então ouviu:
            -           Querida, você esta bem? - Era Heitor preocupado com o estado de Joana.
            - Heitor, preciso ir para o hospital, acho que quebrei o pé. - Joana responde com delicadeza e agradecimento na voz.
            Heitor em um impulso a pega no colo e acena para uma mulher que esta perto e viu a cena. Ele com um tanto de timidez e muito desespero pede a mulher:
            - Por favor, chame uma ambulância.
            A senhora então pega com agilidade o celular e chama os paramédicos, que logo aparecem e carregam Joana desacordada para o hospital, Heitor vai junto, ele estava preocupado, achava que a culpa daquilo tudo era dele.
            No hospital o médico analisa o pé de Joana e conclui que ela tivera uma luxação não muito grave, mas que não poderá ir para casa hoje estava proibida de colocar os pés no chão até o outro dia de manhã, então Joana dormiu no leito do hospital. Heitor ficou lá com ela, não pregou o olho à noite toda, ficou pensando em uma forma de falar a ela o porquê de tudo aquilo. De nada adiantou. Ao amanhecer, Joana acordou com a luz do sol em seu rosto e um caloroso bom dia de Heitor. Ela que não queria mais estar perto dele por razões obvias, ficou aliviada ao sentir suas mãos acariciarem seu rosto.  Então Heitor começou a proclamar suas razões para deixá-la:
            - Querida, tu sabes que eu sempre te amei, e sempre vou te amar. Sabes também que eu sou um homem sonhador e que precisa se aventurar. Nunca eu me esquecerei de ti, jamais. Pensarei em você todos os dias de minha vida, e se possível de minha morte também. O meu único e sincero motivo para deixá-la é que estou cansado de minha vida, de minha história, e de pensar que até hoje eu nunca me amei. Sempre vivi para te amar. Olho para traz e vejo que só vivi para ti, e eu esqueci-me de mim mesmo. Quando me dei conta disso, senti que eu durante todo esse tempo usei você, usei sua vida para meu divertimento, cansei disto. Preciso viver.
            Emocionada com as palavras do seu eterno amor, Joana não encontra termos para expressar a emoção que sentiu. Após alguns minutos de vozes silenciadas, Joana com temor de quebrar o silêncio fala calmamente:
            - Eu te amo o suficiente, para aceitar, respeitar e dar asas a tua vontade. Por mais que agora haja mágoa, sei que após haverá liberdade.
            Eles dão um ultimo beijo, ele vai embora tranquilo, calmo e com um desejo muito grande de voar. Ela fica ali pensando solitariamente no que ela fará de sua vida, pensa em mil e uma possibilidades, não gosta de nenhuma. Ela ainda precisa de Heitor ao seu lado. Só ela não quer admitir isso. O médico entra no quarto para dar alta à Joana. Ela então pergunta:
            - Doutor o senhor já se sentiu sozinho e perdido?
            - Inúmeras vezes. - Ele responde com voz abafada.
            - Como o senhor achou de volta o caminho?- Ela pergunta com uma louca curiosidade.
            - Só com o tempo minha cara, só o tempo vai dizer onde esta o caminho. - O médico da um sorriso e a libera.
            Ela se veste para ir embora. Esta totalmente insatisfeita com a resposta do médico. O tempo era algo muito vago para ela. Como ela poderia esperar sentada calmamente o tempo passar para que suas ideias voltassem a ter ordem? Dou razão a ela esperar sentada o tempo passar, e só pensar, traz sofrimento. Ela saiu do hospital com um ponto de interrogação palpável em seu rosto, ela não sabia para onde ir, o que pensar, onde ficar, o que fazer.
Andava calmamente pela rua, mancava, e sua cabeça fervilhava de questionamentos sobre sua vida. Decidiu então ir para a casa, a casa que fora dela e Heitor. Ela não se importava se lá tudo remetia a seu amado. Ela gostava, apesar da saudade.
            Ao chegar naquela pequena casa amarela com um enorme jardim e uma roseira só dela, sentiu um enorme conforto e pensou: “Minha casa, meu lar, meu aconchego, meu acalanto”. Ao abrir a grande porta de madeira que tinha um ar rústico que ela adorava, logo percebeu que havia algo diferente. Entrou com pressa e sentou-se no sofá, olhou em volta e viu o chapeleiro vazio, aquele que sempre estivera cheio de chapéus que Heitor amava e que acrescia um charme gigantesco aquele homem de beleza comum, agora estava nu, completamente cheio por um vazio não só de objetos, mas da presença da alma de Heitor, esta que Joana achava que não poderia deixar aquela casa. Ela teve de respirar fundo, então ficou em pé e andou por todos os cômodos da casa. Nenhum vestígio havia da presença de Heitor a não ser, álbuns de fotografias e vídeos deles que foram deixados sobre a cama com uma rosa branca e uma carta. Joana se deitou com leveza e começou a ler a carta já aos prantos pela ausência do espírito de seu ex-marido. A carta escrita em versos rimados trazia esta mensagem:

Minha bela amada
Lamento por deixá-la
Talvez agora triste e desolada
Nunca de verdade eu irei abandoná-la

Levo tudo que é meu
As fotos e os vídeos são lembranças tuas
Para que não esqueças teu Romeu
Não vou ferir estas obras suas

Magoa tua, eu entenderei
Tristeza tua, eu sentirei
Amor teu, eu lembrarei
Saudade tua, eu conhecerei

Deixo você com marcas no coração
Em mim prevalece à paixão
Por ti meu grande amor
Por mais que eu a deixe com dor

Precisei viver
Para isso obriguei-me a me abster
Do teu amor e tua beleza
Mesmo que com muita tristeza.

Capitulo 2 - Lembranças

Aguardem. 

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