Tenta mostrar as complicadas relações entre passado presente e futuro, seres humanos e a vida.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
O Gosto da Boca.
E mesmo agora depois de tanto tempo o gosto da boca ainda permanece aqui. Lembro nitidamente do sabor daquela língua na minha, algo doce que eu engolia sentindo um azedo leve passar pela minha garganta e me arrepiar. E às vezes perdida em pensamentos eu me lembro daquela saliva que me adentrava e me corroia a cada vez que eu me entregava àquela pessoa. Eu poderia comer ela, no sentido literal. O sabor e o cheiro me deixavam tão louca que eu queria morder, eu queria mastigar e sentir o gosto daquela pele que derramava prazer e suor. O suor mais agradável que já senti, eu adorava aquele rosto úmido com os pelos da barba roçando no meu rosto e me beijando. E o cheiro daquele suor, um cheiro humano e carnal. E o gosto do lábio. Um gosto com pouco sabor, mas quando era percebido me encantava de tal forma que eu me aquecia só de sentir aquele mel que tinha toques amargos como café. Já o cheiro daqueles lábios eu podia sentir a quilômetros, um cheiro forte algo cítrico e másculo, um aroma equilibrado e que não se dilui no ar, totalmente identificável por mais que esteja misturado à uma multidão de cheiros. E o cheiro do corpo, e o sabor do corpo, e o toque do corpo, eu identificaria aquele corpo sendo cega, surda e muda, basta o sabor e o aroma e eu sei que posso me entregar aquele ser tão adoravelmente bom.
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