quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Ela.


            Nunca conseguirei descrevê-la por inteiro. Ela muda, tem fases e a cada momento ela é uma e é toda ela ao mesmo instante. São tantas, que talvez eu nunca identifique todas, mas as mais presentes estão ali formando a base desse ser humano tão comum para uns, e tão abstrato para outros.  Existem algumas palavras que podem definir ela e são essas: Luz, Sombra, Guerreira, Questionadora, Sedutora, Encantadora, Fechada, Intensa e Sonhadora.
            Aos poucos ela vai mostrando uma a uma. Cada lado dessa moeda que tem infinitas partes. Primeiro a fechada. Esta prefere não falar de si, prefere ser integra, pé no chão. Essa não dá um passo maior que a perna e usa a razão para agir. Ela é a Sensatez. Mas em excesso essa sensatez vira uma “capa-dura” uma couraça impenetrável, indiferente aos sentimentos dos outros, ela se fecha no seu mundo e lá fica sozinha.
            A Segunda é a Guerreira. É a que luta pelo o que quer. Esta não fica sentada esperando o universo conspirar, ela conspira ao seu próprio favor. Essa é a Sabedoria. É ela que vai usar tudo do que sabe para alcançar suas metas, desde que seja honestamente, pois a sabedoria é justa. Mal usada, a guerreira cai em seus próprios desejos, vira uma confusão de pensamentos e a sabedoria já não serve mais de nada, pois ela vira um caos. Uma bagunça infernal onde só a sabedoria juntamente com a sensatez faz o caos acabar.
            A terceira é a Questionadora. É a que tudo interroga. Nada passa pelo senso crítico dela ileso. E ela se pergunta e assim esta ela presa a uma roda viva que nunca acabará, pois cada questionamento gera outro e outro onde um dia não teremos mais resposta.  E é ai que há o problema e a solução. Seres humanos não aceitam perguntas sem respostas, e novamente o cérebro questionador dela vira um embaraçado de perguntas que só se desenrolara quando a sensatez, a sabedoria e os questionamentos forem usados para resolver as dúvidas.
            A quarta é a Sonhadora. É a que vai fazer história nesse mundo. Nem que isso custe à vida. É a que vai fazer pelo menos do seu próprio mundinho algo melhor. Ela é a Utopia. É a que um dia vai mudar tudo, e que vai fazer de tudo a sua arte de viver. Ela só precisa se cuidar com coisas pequenas que podem a derrubar. Ela não pode perder a inocência. Ai mora o perigo para que todos os sonhos desapareçam. Para que isso não aconteça, ela tem que ser sensata, agir com sabedoria, questionar o que não compreende, e mais importante, ela tem que ter a alma viva pra imaginar, pra fechar os olhos e enxergar tudo o que ela vai fazer, e já esta fazendo. Ela é a promessa desse mundo.
            A quinta é a Intensa. É a que coloca não só a mão no fogo, mas o braço se for preciso, por alguém que confia. Ela é a que se entrega. Que se dá por inteiro a alguém ou a ela mesma. É a que sente tudo ao mais puro e forte possível. Gosta das coisas na pela, na carne pegando fogo ou congelando. Ela só não pode ser estrema. Ela não pode cair no “8 ou 80”. Intensa sim, exagerada jamais. E pra isso não acontecer, ela vai ter que ter o “pé no chão”, vai ter que ser justa, será interrogadora das próprias ações, terá inocência para se arriscar, mas com uma nova característica ela terá uma inocência intensa e limitada. Será tudo isso sem que cada uma delas se atrapalhem.
            Nem sempre ela mostra à encantadora e a sedutora. Sobre essas ela tem pleno controle apesar de não perceber isso. Ela só mostra pra quem deseja mostrar, e pra quem gosta de todas aquelas outras antes de gostar dessas. Essa é o Charme. É a junção de todas as partes boas das outras. O charme consegue transformar os defeitos em coisas não tão imperfeitas. Mas o charme não pode ser egocêntrico. Sim ele sabe do seu valor, mas a partir do ponto em que ele virar narcisista ele estraga todas as partes dela.
            E assim ela se forma em luz e sombra. Os dois lados de um só ser humano. As duas partes que dividem a base dela. O bom e o ruim. O que a deixa inteira. Pois todas elas completam-se em uma só. Sozinhas não seriam nada. Apenas características vazias. E assim formam uma mulher, uma menina e uma senhora. Formam a mim.

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