Nunca conseguirei descrevê-la por inteiro. Ela muda, tem fases e a cada momento ela é uma e é toda ela ao mesmo instante. São tantas, que talvez eu nunca identifique todas, mas as mais presentes estão ali formando a base desse ser humano tão comum para uns, e tão abstrato para outros. Existem algumas palavras que podem definir ela e são essas: Luz, Sombra, Guerreira, Questionadora, Sedutora, Encantadora, Fechada, Intensa e Sonhadora.
Aos poucos ela vai mostrando uma a uma. Cada lado dessa moeda que tem infinitas partes. Primeiro a fechada. Esta prefere não falar de si, prefere ser integra, pé no chão. Essa não dá um passo maior que a perna e usa a razão para agir. Ela é a Sensatez. Mas em excesso essa sensatez vira uma “capa-dura” uma couraça impenetrável, indiferente aos sentimentos dos outros, ela se fecha no seu mundo e lá fica sozinha.
A Segunda é a Guerreira. É a que luta pelo o que quer. Esta não fica sentada esperando o universo conspirar, ela conspira ao seu próprio favor. Essa é a Sabedoria. É ela que vai usar tudo do que sabe para alcançar suas metas, desde que seja honestamente, pois a sabedoria é justa. Mal usada, a guerreira cai em seus próprios desejos, vira uma confusão de pensamentos e a sabedoria já não serve mais de nada, pois ela vira um caos. Uma bagunça infernal onde só a sabedoria juntamente com a sensatez faz o caos acabar.
A terceira é a Questionadora. É a que tudo interroga. Nada passa pelo senso crítico dela ileso. E ela se pergunta e assim esta ela presa a uma roda viva que nunca acabará, pois cada questionamento gera outro e outro onde um dia não teremos mais resposta. E é ai que há o problema e a solução. Seres humanos não aceitam perguntas sem respostas, e novamente o cérebro questionador dela vira um embaraçado de perguntas que só se desenrolara quando a sensatez, a sabedoria e os questionamentos forem usados para resolver as dúvidas.
A quarta é a Sonhadora. É a que vai fazer história nesse mundo. Nem que isso custe à vida. É a que vai fazer pelo menos do seu próprio mundinho algo melhor. Ela é a Utopia. É a que um dia vai mudar tudo, e que vai fazer de tudo a sua arte de viver. Ela só precisa se cuidar com coisas pequenas que podem a derrubar. Ela não pode perder a inocência. Ai mora o perigo para que todos os sonhos desapareçam. Para que isso não aconteça, ela tem que ser sensata, agir com sabedoria, questionar o que não compreende, e mais importante, ela tem que ter a alma viva pra imaginar, pra fechar os olhos e enxergar tudo o que ela vai fazer, e já esta fazendo. Ela é a promessa desse mundo.
A quinta é a Intensa. É a que coloca não só a mão no fogo, mas o braço se for preciso, por alguém que confia. Ela é a que se entrega. Que se dá por inteiro a alguém ou a ela mesma. É a que sente tudo ao mais puro e forte possível. Gosta das coisas na pela, na carne pegando fogo ou congelando. Ela só não pode ser estrema. Ela não pode cair no “8 ou 80” . Intensa sim, exagerada jamais. E pra isso não acontecer, ela vai ter que ter o “pé no chão”, vai ter que ser justa, será interrogadora das próprias ações, terá inocência para se arriscar, mas com uma nova característica ela terá uma inocência intensa e limitada. Será tudo isso sem que cada uma delas se atrapalhem.
Nem sempre ela mostra à encantadora e a sedutora. Sobre essas ela tem pleno controle apesar de não perceber isso. Ela só mostra pra quem deseja mostrar, e pra quem gosta de todas aquelas outras antes de gostar dessas. Essa é o Charme. É a junção de todas as partes boas das outras. O charme consegue transformar os defeitos em coisas não tão imperfeitas. Mas o charme não pode ser egocêntrico. Sim ele sabe do seu valor, mas a partir do ponto em que ele virar narcisista ele estraga todas as partes dela.
E assim ela se forma em luz e sombra. Os dois lados de um só ser humano. As duas partes que dividem a base dela. O bom e o ruim. O que a deixa inteira. Pois todas elas completam-se em uma só. Sozinhas não seriam nada. Apenas características vazias. E assim formam uma mulher, uma menina e uma senhora. Formam a mim.
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